Certo dia, li um texto de Affonso Romano de Sant’ Anna que começava assim: “Há um período em que os pais vão ficando órfãos dos seus próprios filhos”. “É que as crianças crescem independente de nós, como árvores tagarelas e pássaros estabanados” e terminava assim: “Aprendemos a ser filhos depois que somos pais. Só aprendemos a ser pais depois que somos avós...”.
Certo dia, li um texto de William Blake que dizia assim: “Ver um céu numa flor do Campo, Ter o Infinito na palma da mão. E a Eternidade em uma hora...”.
Ao amanhecer de certo dia, aprendi com Affonso Romano e entendi com William Blake: que ao raiar deste novo dia, eu fui avó. E com certeza foi o segundo dia mais feliz da minha vida.
Então, no raiar deste novo dia, comecei um caso de amor com a vida. Fui inundada pelo amor.
A partir daí, para manter esse caso de amor com a vida, venho travando diuturnamente uma batalha árdua e injusta. Limpo com ungüento as feridas da alma e amorteço como posso as dores lancinantes que penetram o meu peito.
Desejo poder exercer um único direito de ser, inteiramente e simplesmente avó.
Justamente quando conseguimos transformar pequenas vivências em intuições geniais e quando nos sentimos capazes de extrair dessas vivências experiências prosaicas, quando nos sentimos capazes de compreendermos a essência da vida, na simplicidade do viver: somos tolhidas, perversamente do exercício deste direito natural de sermos avós.
Quando nos desnudamos de todas as máscaras e nos apresentamos de cara lavada, porque já não mais tememos dizer quem realmente somos, nos surpreendemos com as regras e os manuais de convivência ditados por pessoas que impedem de que expressemos o amor. Já não temos a liberdade de ninar, banhar, alimentar, brincar, educar e viver o desabrochar dos nossos netos.
Que mal ao mundo dos nossos netos traremos? Nossos corações continuam a bater plenos de amor, nossas bocas continuam a aspirar e respirar o sopro da vida.
Conversando com amigas do peito, ouvi relatos de histórias semelhantes a minha. Pergunto-me o porquê tanto empenho em sabotar a nossa capacidade de amar?
Por quê?
Entendo que a vida tem que ser algo além de um simples cumprir de regras e de programas. Que são estabelecidos muitas vezes por mentes e corações amargurados, frustrados e incapazes de amar.
Afinal de contas não sabemos quanto tempo resta-nos para conversarmos com os nossos netos, vê-los crescer, sentirmos o seu cheiro, lambuzar-lhes com o sabor de mangas, sapotis, laranjas e sorvetes.
Como é bom ensinar aos nossos netos a brincar de Pega-Pega, de Roda e cantando as cantigas ensinadas pelos nossos avós. Brincar de Marcha Soldado, Cavalo de pau e apreciar as piruetas das pipas, olhando para o céu acima de nós.
Como é bom aprender com os nossos netos as brincadeiras de hoje, jogar vídeo game, manusear um carrinho de controle remoto, disputar jogos na internet...
Acamparmos nas noites de verão, dormindo com as estrelas e despertando ao primeiro raio de sol.
Ainda deitados preguiçosamente na grama, desdenharmos as travessuras para o novo dia que surge numa aurora cheia de esperança.
Certo dia, li um texto de William Blake que dizia assim: “Ver um céu numa flor do Campo, Ter o Infinito na palma da mão. E a Eternidade em uma hora...”.
Ao amanhecer de certo dia, aprendi com Affonso Romano e entendi com William Blake: que ao raiar deste novo dia, eu fui avó. E com certeza foi o segundo dia mais feliz da minha vida.
Então, no raiar deste novo dia, comecei um caso de amor com a vida. Fui inundada pelo amor.
A partir daí, para manter esse caso de amor com a vida, venho travando diuturnamente uma batalha árdua e injusta. Limpo com ungüento as feridas da alma e amorteço como posso as dores lancinantes que penetram o meu peito.
Desejo poder exercer um único direito de ser, inteiramente e simplesmente avó.
Justamente quando conseguimos transformar pequenas vivências em intuições geniais e quando nos sentimos capazes de extrair dessas vivências experiências prosaicas, quando nos sentimos capazes de compreendermos a essência da vida, na simplicidade do viver: somos tolhidas, perversamente do exercício deste direito natural de sermos avós.
Quando nos desnudamos de todas as máscaras e nos apresentamos de cara lavada, porque já não mais tememos dizer quem realmente somos, nos surpreendemos com as regras e os manuais de convivência ditados por pessoas que impedem de que expressemos o amor. Já não temos a liberdade de ninar, banhar, alimentar, brincar, educar e viver o desabrochar dos nossos netos.
Que mal ao mundo dos nossos netos traremos? Nossos corações continuam a bater plenos de amor, nossas bocas continuam a aspirar e respirar o sopro da vida.
Conversando com amigas do peito, ouvi relatos de histórias semelhantes a minha. Pergunto-me o porquê tanto empenho em sabotar a nossa capacidade de amar?
Por quê?
Entendo que a vida tem que ser algo além de um simples cumprir de regras e de programas. Que são estabelecidos muitas vezes por mentes e corações amargurados, frustrados e incapazes de amar.
Afinal de contas não sabemos quanto tempo resta-nos para conversarmos com os nossos netos, vê-los crescer, sentirmos o seu cheiro, lambuzar-lhes com o sabor de mangas, sapotis, laranjas e sorvetes.
Como é bom ensinar aos nossos netos a brincar de Pega-Pega, de Roda e cantando as cantigas ensinadas pelos nossos avós. Brincar de Marcha Soldado, Cavalo de pau e apreciar as piruetas das pipas, olhando para o céu acima de nós.
Como é bom aprender com os nossos netos as brincadeiras de hoje, jogar vídeo game, manusear um carrinho de controle remoto, disputar jogos na internet...
Acamparmos nas noites de verão, dormindo com as estrelas e despertando ao primeiro raio de sol.
Ainda deitados preguiçosamente na grama, desdenharmos as travessuras para o novo dia que surge numa aurora cheia de esperança.
Maria Clara Santana Nascimento
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