Não pretendo fazer um elogio à mediocridade, mas um aplauso à fragilidade. Não pretendo justificar sua pequenez porque a criação transporta sinais de grandeza. Se a grandeza e a excelência provocam admiradores, a humildade e a simplicidade provocam seguidores. Uns recordam o que nunca fomos, outros conduzem-nos ao que seremos. De fato, há pessoas que têm a habilidade de relacionar-se com a sua natureza humana de forma contagiante. Como se nos levassem a desejar a grandeza (de alma). Ser grande não é ser menos do que se é. Não é ser perfeito, é ser humano. Não é ter que sentir obrigação de ser outro pra se sentir amado, querido. Mas se mostar verdadeiro, errando, acertando, só assim aprendendo. Ser grande é mostrar a beleza da verdade de um coração, ser corajosoo bastante para dizer: "eu preciso de ajuda", é dizer "me perdoa", sem se sentir humilhado, é soltar um "eu te amo", vindo do coração. É ter uma verdade que se faz carne. Mas, não se trata de diminuir-se ou rebaixar-se, trata-se de ser quem se é. Não é despir-se, mas revelar-se. E a pequenez é tanta, que quem é pequeno, se deixa ser porque não sabe que é grande. E passa a vida toda dizendo sim, quando queria dizer não. Passa a vida toda se escondendo atrás dessa falsa fragilidade e não se dá conta do próprio engano. E chega uma hora que já não é mais suportável. E é esta habilidade destreinada de algumas pessoas que nos leva a desejar a simplicidade e a nobreza de coração. Vivem como se já não estivessem entre nós. E de fato, não estão. Deixaram de estar no “entre”, na fronteira para decididamente entrarem na própria esfera do "eu". É esta a beleza que os esperam.
Vivianne Oliveira