quarta-feira, 31 de agosto de 2011

A fragilidade da alma

Não pretendo fazer um elogio à mediocridade, mas um aplauso à fragilidade. Não pretendo justificar sua pequenez porque a criação transporta sinais de grandeza. Se a grandeza e a excelência provocam admiradores, a humildade e a simplicidade provocam seguidores. Uns recordam o que nunca fomos, outros conduzem-nos ao que seremos. De fato, há pessoas que têm a habilidade de relacionar-se com a sua natureza humana de forma contagiante. Como se nos levassem a desejar a grandeza (de alma). Ser grande não é ser menos do que se é. Não é ser perfeito, é ser humano. Não é ter que sentir obrigação de ser outro pra se sentir amado, querido. Mas se mostar verdadeiro, errando, acertando, só assim aprendendo. Ser grande é mostrar a beleza da verdade de um coração, ser corajosoo bastante para dizer: "eu preciso de ajuda", é dizer "me perdoa", sem se sentir humilhado, é soltar um "eu te amo", vindo do coração. É ter uma verdade que se faz carne. Mas, não se trata de diminuir-se ou rebaixar-se, trata-se de ser quem se é. Não é despir-se, mas revelar-se. E a pequenez é tanta, que quem é pequeno, se deixa ser porque não sabe que é grande. E passa a vida toda dizendo sim, quando queria dizer não. Passa a vida toda se escondendo atrás dessa falsa fragilidade e não se dá conta do próprio engano. E chega uma hora que já não é mais suportável. E é esta habilidade destreinada de algumas pessoas que nos leva a desejar a simplicidade e a nobreza de coração. Vivem como se já não estivessem entre nós. E de fato, não estão. Deixaram de estar no “entre”, na fronteira para decididamente entrarem na própria esfera do "eu". É esta a beleza que os esperam.
             
          Vivianne Oliveira


sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Contido

Eu vi tudo se passar diante dos meus olhos, meus mitos estavam todos superados. Não gosto de ingenuidade das pessoas, o comodismo delas me exaspera. Tenho vinte e alguns anos e nenhum ídolo, mas procuro ainda entre as mesas da cidade um olhar um pouco mais compreensivo, alguém, um índício de um paralelo clandestino num universo duvidoso, que não se possa supor pelo aparente sorriso frívolo.

Talvez entre os que tramam, os que conspiram, os que infernizam a vida alheia, talvez entre as pessoas mais secretas do planeta haja algum olhar pérfido e os que permitem, talvez os ambíguos ameaçam os mais loucos e os obsessivos fascinados por alguma razão, queiram viVER.

Passei a acreditar no fascínio, na doentia, na obstinada paixão mais absurda que nos torna transparentes para nós mesmos e para os outros eternamente impenetráveis.

Vivianne Oliveira