segunda-feira, 4 de abril de 2011

A dança

Não te amo como se fosse rosa de sal, topázio

Ou flecha de cravos que propagam fogo

Te amo como se amam certas coisas obscuras

Secretamente, entre a sombra e a alma

Te amo como a planta que não floresce e

Leva dentro de si, oculta, a luz daquelas flores

E graças a teu amor, vive oculto em meu

Corpo o apertado aroma que ascende da terra

Te amo sem saber como, nem quando, nem onde

Te amo diretamente sem problemas nem orgulho;

Assim te amo porque não sei amar de outra maneira

Senão assim, deste modo, em que não sou nem és

Tão perto de tua mão sobre meu peito é minha

Tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho.


"A Dança". Soneto extraído do livro Cem Sonetos de Amor, de Pablo Neruda

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