quarta-feira, 20 de abril de 2011
terça-feira, 19 de abril de 2011
Salmo 139
Senhor, tu me sondas, e me conheces.
Tu conheces o meu assentar e o meu levantar;
de longe entendes o meu pensamento.
Esquadrinhas o meu andar, e o meu deitar,
e conheces todos os meus caminhos.
Sem que haja uma palavra na minha língua,
eis que, ó Senhor, tudo conheces.
Tu me cercaste em volta, e puseste sobre mim a tua mão.
Tal conhecimento é maravilhoso demais para mim;
tão elevado que não o posso atingir.
Para onde me irei do teu Espírito,
ou para onde fugirei da tua presença?
Se subir ao céu, tu aí estás; se fizer no Seol a minha cama,
eis que tu ali estás também.
Se tomar as asas da alva, se habitar nas extremidades do mar,
ainda ali a tua mão me guiará e a tua destra me susterá.
Se eu disser: Decerto as trevas me encobrirão,
então a noite será luz ao meu redor;
nem ainda as trevas me escondem de ti,
mas a noite resplandece como o dia;
as trevas e a luz são para ti a mesma coisa.
Pois tu formaste os meus rins;
entreteceste-me no ventre de minha mãe.
Eu te louvarei, porque de um modo tão admirável
e maravilhoso fui formado;
maravilhosas são as tuas obras,
e a minha alma o sabe muito bem.
Os meus ossos não te foram encobertos,
quando no oculto fui formado,
e esmeradamente tecido como nas profundezas da terra.
Os teus olhos viram o meu corpo ainda informe,
e no teu livro todas estas coisas foram escritas;
as quais iam sendo diariamente formadas,
quando nem ainda uma delas havia.
E quão preciosos me são, ó Deus, os teus pensamentos!
Quão grande é a soma deles!
Se eu os contasse, seriam mais numerosos do que a areia;
quando acordo ainda estou contigo.
ó Deus tu matarás decerto o ímpio:
apartai-vos portanto de mim homens sanguinários,
pois falam malvadamente contra ti,
e os teus inimigos tomam o teu nome em vão.
Não odeio eu, ó Senhor, aqueles que te odeiam?
E não me aflijo por causa dos que se levantam contra ti?
Odeio-os com ódio completo; tenho-os por inimigos.
Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração;
prova-me, e conhece os meus pensamentos;
Vê se há em mim algum caminho perverso,
e guia-me pelo caminho eterno.
Salmo de Davi
Tu conheces o meu assentar e o meu levantar;
de longe entendes o meu pensamento.
Esquadrinhas o meu andar, e o meu deitar,
e conheces todos os meus caminhos.
Sem que haja uma palavra na minha língua,
eis que, ó Senhor, tudo conheces.
Tu me cercaste em volta, e puseste sobre mim a tua mão.
Tal conhecimento é maravilhoso demais para mim;
tão elevado que não o posso atingir.
Para onde me irei do teu Espírito,
ou para onde fugirei da tua presença?
Se subir ao céu, tu aí estás; se fizer no Seol a minha cama,
eis que tu ali estás também.
Se tomar as asas da alva, se habitar nas extremidades do mar,
ainda ali a tua mão me guiará e a tua destra me susterá.
Se eu disser: Decerto as trevas me encobrirão,
então a noite será luz ao meu redor;
nem ainda as trevas me escondem de ti,
mas a noite resplandece como o dia;
as trevas e a luz são para ti a mesma coisa.
Pois tu formaste os meus rins;
entreteceste-me no ventre de minha mãe.
Eu te louvarei, porque de um modo tão admirável
e maravilhoso fui formado;
maravilhosas são as tuas obras,
e a minha alma o sabe muito bem.
Os meus ossos não te foram encobertos,
quando no oculto fui formado,
e esmeradamente tecido como nas profundezas da terra.
Os teus olhos viram o meu corpo ainda informe,
e no teu livro todas estas coisas foram escritas;
as quais iam sendo diariamente formadas,
quando nem ainda uma delas havia.
E quão preciosos me são, ó Deus, os teus pensamentos!
Quão grande é a soma deles!
Se eu os contasse, seriam mais numerosos do que a areia;
quando acordo ainda estou contigo.
ó Deus tu matarás decerto o ímpio:
apartai-vos portanto de mim homens sanguinários,
pois falam malvadamente contra ti,
e os teus inimigos tomam o teu nome em vão.
Não odeio eu, ó Senhor, aqueles que te odeiam?
E não me aflijo por causa dos que se levantam contra ti?
Odeio-os com ódio completo; tenho-os por inimigos.
Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração;
prova-me, e conhece os meus pensamentos;
Vê se há em mim algum caminho perverso,
e guia-me pelo caminho eterno.
Salmo de Davi
segunda-feira, 18 de abril de 2011
Perhaps Love
Talvez o amor seja como um lugar de descanso, um abrigo da tempestade Ele existe para te dar conforto, ele está lá para te manter aquecido E nas horas de turbulência, quando mais você está sozinho A lembrança de um amor te levará para casa.
Talvez o amor seja como uma janela, talvez uma porta aberta Ele te convida a chegar mais perto, ele quer te mostrar mais E mesmo que você se perca e não saiba o que fazer A lembrança de um amor fará você superar tudo. Talvez o amor seja como o oceano, cheio de conflitos, cheio de dor Como uma lareira quando faz frio lá fora, como o trovão quando chove E se eu vivesse para sempre, e todos os meus sonhos fossem realizados Minha lembrança de amor seria de você.
O amor para alguns é como uma nuvem, para outros, tão forte quanto o aço Para alguns um modo de vida, para outros uma forma de sentir E alguns dizem que o amor está suportando e outros dizem "deixa ir" E alguns dizem que o amor é tudo, e outros dizem que não sabem. Talvez o amor seja como o oceano, cheio de conflitos, cheio de dor Como uma lareira quando faz frio lá fora, como o trovão quando chove E se eu vivesse para sempre, e todos os meus sonhos fossem realizados Minha lembrança de amor seria de você.
E alguns dizem que o amor está suportando E outros dizem "deixa ir" E alguns dizem que o amor é tudo, e outros dizem que não sabem Talvez o amor seja como o oceano, cheio de conflitos, cheio de dor.
Como uma lareira quando faz frio lá fora, como o trovão quando chove E se eu vivesse para sempre, e todos os meus sonhos fossem realizados Minha lembrança de amor seria de você.
Cantor John Denver
Um Grito de Esperança
Certo dia, li um texto de Affonso Romano de Sant’ Anna que começava assim: “Há um período em que os pais vão ficando órfãos dos seus próprios filhos”. “É que as crianças crescem independente de nós, como árvores tagarelas e pássaros estabanados” e terminava assim: “Aprendemos a ser filhos depois que somos pais. Só aprendemos a ser pais depois que somos avós...”.
Certo dia, li um texto de William Blake que dizia assim: “Ver um céu numa flor do Campo, Ter o Infinito na palma da mão. E a Eternidade em uma hora...”.
Ao amanhecer de certo dia, aprendi com Affonso Romano e entendi com William Blake: que ao raiar deste novo dia, eu fui avó. E com certeza foi o segundo dia mais feliz da minha vida.
Então, no raiar deste novo dia, comecei um caso de amor com a vida. Fui inundada pelo amor.
A partir daí, para manter esse caso de amor com a vida, venho travando diuturnamente uma batalha árdua e injusta. Limpo com ungüento as feridas da alma e amorteço como posso as dores lancinantes que penetram o meu peito.
Desejo poder exercer um único direito de ser, inteiramente e simplesmente avó.
Justamente quando conseguimos transformar pequenas vivências em intuições geniais e quando nos sentimos capazes de extrair dessas vivências experiências prosaicas, quando nos sentimos capazes de compreendermos a essência da vida, na simplicidade do viver: somos tolhidas, perversamente do exercício deste direito natural de sermos avós.
Quando nos desnudamos de todas as máscaras e nos apresentamos de cara lavada, porque já não mais tememos dizer quem realmente somos, nos surpreendemos com as regras e os manuais de convivência ditados por pessoas que impedem de que expressemos o amor. Já não temos a liberdade de ninar, banhar, alimentar, brincar, educar e viver o desabrochar dos nossos netos.
Que mal ao mundo dos nossos netos traremos? Nossos corações continuam a bater plenos de amor, nossas bocas continuam a aspirar e respirar o sopro da vida.
Conversando com amigas do peito, ouvi relatos de histórias semelhantes a minha. Pergunto-me o porquê tanto empenho em sabotar a nossa capacidade de amar?
Por quê?
Entendo que a vida tem que ser algo além de um simples cumprir de regras e de programas. Que são estabelecidos muitas vezes por mentes e corações amargurados, frustrados e incapazes de amar.
Afinal de contas não sabemos quanto tempo resta-nos para conversarmos com os nossos netos, vê-los crescer, sentirmos o seu cheiro, lambuzar-lhes com o sabor de mangas, sapotis, laranjas e sorvetes.
Como é bom ensinar aos nossos netos a brincar de Pega-Pega, de Roda e cantando as cantigas ensinadas pelos nossos avós. Brincar de Marcha Soldado, Cavalo de pau e apreciar as piruetas das pipas, olhando para o céu acima de nós.
Como é bom aprender com os nossos netos as brincadeiras de hoje, jogar vídeo game, manusear um carrinho de controle remoto, disputar jogos na internet...
Acamparmos nas noites de verão, dormindo com as estrelas e despertando ao primeiro raio de sol.
Ainda deitados preguiçosamente na grama, desdenharmos as travessuras para o novo dia que surge numa aurora cheia de esperança.
Certo dia, li um texto de William Blake que dizia assim: “Ver um céu numa flor do Campo, Ter o Infinito na palma da mão. E a Eternidade em uma hora...”.
Ao amanhecer de certo dia, aprendi com Affonso Romano e entendi com William Blake: que ao raiar deste novo dia, eu fui avó. E com certeza foi o segundo dia mais feliz da minha vida.
Então, no raiar deste novo dia, comecei um caso de amor com a vida. Fui inundada pelo amor.
A partir daí, para manter esse caso de amor com a vida, venho travando diuturnamente uma batalha árdua e injusta. Limpo com ungüento as feridas da alma e amorteço como posso as dores lancinantes que penetram o meu peito.
Desejo poder exercer um único direito de ser, inteiramente e simplesmente avó.
Justamente quando conseguimos transformar pequenas vivências em intuições geniais e quando nos sentimos capazes de extrair dessas vivências experiências prosaicas, quando nos sentimos capazes de compreendermos a essência da vida, na simplicidade do viver: somos tolhidas, perversamente do exercício deste direito natural de sermos avós.
Quando nos desnudamos de todas as máscaras e nos apresentamos de cara lavada, porque já não mais tememos dizer quem realmente somos, nos surpreendemos com as regras e os manuais de convivência ditados por pessoas que impedem de que expressemos o amor. Já não temos a liberdade de ninar, banhar, alimentar, brincar, educar e viver o desabrochar dos nossos netos.
Que mal ao mundo dos nossos netos traremos? Nossos corações continuam a bater plenos de amor, nossas bocas continuam a aspirar e respirar o sopro da vida.
Conversando com amigas do peito, ouvi relatos de histórias semelhantes a minha. Pergunto-me o porquê tanto empenho em sabotar a nossa capacidade de amar?
Por quê?
Entendo que a vida tem que ser algo além de um simples cumprir de regras e de programas. Que são estabelecidos muitas vezes por mentes e corações amargurados, frustrados e incapazes de amar.
Afinal de contas não sabemos quanto tempo resta-nos para conversarmos com os nossos netos, vê-los crescer, sentirmos o seu cheiro, lambuzar-lhes com o sabor de mangas, sapotis, laranjas e sorvetes.
Como é bom ensinar aos nossos netos a brincar de Pega-Pega, de Roda e cantando as cantigas ensinadas pelos nossos avós. Brincar de Marcha Soldado, Cavalo de pau e apreciar as piruetas das pipas, olhando para o céu acima de nós.
Como é bom aprender com os nossos netos as brincadeiras de hoje, jogar vídeo game, manusear um carrinho de controle remoto, disputar jogos na internet...
Acamparmos nas noites de verão, dormindo com as estrelas e despertando ao primeiro raio de sol.
Ainda deitados preguiçosamente na grama, desdenharmos as travessuras para o novo dia que surge numa aurora cheia de esperança.
Maria Clara Santana Nascimento
Boa ação do dia!
A hora
Sempre chega a hora em que mudanças são imprescindíveis. Sempre chega a hora em que há a necessidade de buscarmos fazer o que fazemos todos os dias de maneira diferente. Sempre chega a hora em que o que passou passou, e o que virá é o que realmente conta.Não importa que não existam problemas, insatisfações, incômodos.Não importa que dentro da gente tudo continue igual e que as manias ainda sejam as mesmas. Não importa que estejamos confortavelmente bem no lugar onde estamos. E é nessa hora que é preciso alçar vôos em busca de outros mundos...:)
quinta-feira, 7 de abril de 2011
Minha saudade
São quase meia-noite. O tic-tac do relógio soa seco enquanto as horas se arrastam preguiçosamente. O silêncio que ecoa pela casa é ensurdecedor... Prenúncio de mais uma madrugada longa a minha espera. Decidi então me sentar no chão frio do quarto, defronte a janela, e escrever. Mas escrever o que? Escrever meio sem rumo, para passar o tempo e ver o sono chegar de mansinho. Escrever para enfim colocar em palavras o que me inquieta a alma.
Decididamente não escrevo para ninguém. Talvez eu escreva, (em desabafo) para a saudade. Esta elegante dama que vem visitar-me todas as noites e por vezes dias sem fim. A saudade vem ao meu encontro vestida de um belíssimo manto negro adornado de estrelas. Com seus meigos olhos de luar, e um pequeno-sorriso-triste... Sempre triste. A quem quero enganar? A mim mesma? A saudade? Não. Não escrevo para a saudade, pois esta já conhece meu tormento. Escrevo para mim mesma, como se escrevendo eu pudesse aliviar a minha dor. Confesso que na esperança (sempre vã) de diminuir do meu peito essa ausência de não sei o quê. Escrevo na esperança de reduzir a falta de pessoas queridas, que a vida foi me deixando ao longo da minha existência. Na ânsia de tentar reviver, mesmo que por instantes, alguém que fui ou até mesmo viver em palavras o que posso nem me tornar a ser.
Cumpro todas as noites o mesmo ritual, deixando sempre a porta do quarto aberta. E por esta mesma porta a saudade entra, e me faz companhia. Como agora: Enquanto escrevo, ela me observa. Não diz palavra alguma. Apenas me olha, e entende o meu silêncio. No desabrochar destas noites insones, quando o meu perigo aumenta, é ela quem me acalenta, que me envolve num abraço cheio de lembranças perfumadas dos dias felizes da minha vida em pura essência.
A minha saudade tem cheiro. É um perfume diferente que exala de cada pensamento meu que percorre o passado, cada lembrança que eu tenho da minha infância, da minha adolescência, do primeiro amor, dos lugares que vivi, da inocência enquanto menina. Um tempo que não volta nunca. E é um cheiro perfeito, puro, inconfundível. E nesta noite, pude perceber que durante toda minha vida eu senti saudade. Passei dias a chorar minhas percas, ausências, as minhas faltas. Passei o tempo todo me despedindo de algo, me ausentando de alguém. E a saudade insistindo, teimosa em me perseguir...
Ah, são tantas as minhas saudades...Permita-me neste momento ser um tanto egoísta e falar somente da minha saudade, a chorar somente a minha dor, e dizer como me sinto. Estou cansada. Sinto dores. Na alma. Lágrimas não choradas e uma tristeza que não posso (e nem quero) comunicar a ninguém. Sinto falta. Me dói muitas ausências. E mesmo tentando não sentir tanta falta, tanta saudade, simplesmente a sinto. Inevitavelmente, porque de certo amo, ou amei em algum momento na minha vida. E a saudade nada mais é a consequência da ausência de quem se ama.
Vivianne Oliveira
quarta-feira, 6 de abril de 2011
Ausência
Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado.
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado.
Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face.
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada.
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite.
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa.
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço.
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos.
Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir.
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas.
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz perenizada.
Ausência, de Vinícius de Moraes.
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado.
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado.
Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face.
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada.
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite.
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa.
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço.
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos.
Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir.
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas.
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz perenizada.
Ausência, de Vinícius de Moraes.
Motivo
Eu canto porque o instante existe e a minha vida está completa.Não sou alegre nem sou triste: sou poeta.Irmão das coisas fugidias, não sinto gozo nem tormento.Atravesso noites e dias no vento.Se desmorono ou se edifico, se permaneço ou me desfaço.Não sei, não sei. Não sei se fico ou passo. Sei que canto.E a canção é tudo. Tem sangue eterno a asa ritmada.E um dia sei que estarei mudo: - mais nada.
Cecília Meireles
Natureza humana
.À natureza profunda do ente humano repugna ver-se isolada do convívio dos seus semelhantes, e o pior de todos os castigos é aquele que fere a nossa natureza profunda.
Rachel de Queiroz
terça-feira, 5 de abril de 2011
Não há falta na ausência
Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta. Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência. A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada,
aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.
Carlos Drummond de Andrade
Amar
segunda-feira, 4 de abril de 2011
A dança
Não te amo como se fosse rosa de sal, topázio
Ou flecha de cravos que propagam fogo
Te amo como se amam certas coisas obscuras
Secretamente, entre a sombra e a alma
Te amo como a planta que não floresce e
Leva dentro de si, oculta, a luz daquelas flores
E graças a teu amor, vive oculto em meu
Corpo o apertado aroma que ascende da terra
Te amo sem saber como, nem quando, nem onde
Te amo diretamente sem problemas nem orgulho;
Assim te amo porque não sei amar de outra maneira
Senão assim, deste modo, em que não sou nem és
Tão perto de tua mão sobre meu peito é minha
Tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho.
"A Dança". Soneto extraído do livro Cem Sonetos de Amor, de Pablo Neruda
Sinto saudade
Eu tenho saudades de tudo que marcou a minha vida. Quando vejo retratos, quando sinto cheiros, quando escuto uma voz, quando me lembro do passado, quando ouço uma música. Sinto saudades de amigos que nunca mais vi, de pessoas com quem não mais falei ou cruzei. Sinto saudades da minha infância. Do presente, que não aproveitei de todo, porque estava preocupada demais com o meu futuro. Sinto saudade do futuro que de tão idealizado, provavelmente não será do jeito que eu penso que vai ser.
Sinto saudades de quem me deixou e de quem eu deixei, de quem disse que viria e nem apareceu; de quem apareceu correndo, sem me conhecer direito, de quem nunca vou ter a oportunidade de conhecer. Sinto saudades dos que se foram e de quem não me despedi como deveria; daqueles que não tiveram como me dizer adeus; de gente que passou na calçada contrária da minha vida e que só enxerguei de vislumbre; de coisas que tive e de outras que não tive mas quis muito ter; de coisas que nem sei que existiram. Sinto saudades de coisas sérias, de coisas hilariantes, de casos, de experiências.
Sinto saudades dos livros que li e que me fizeram viajar, dos CDs que ouvi e que me fizeram sonhar, das coisas que vivi e das que deixei passar, sem curtir na totalidade... Quantas vezes tenho vontade de encontrar não sei o quê, não sei onde, para resgatar alguma coisa que nem sei o que é e nem onde perdi... Vejo o mundo girando e penso que poderia estar sentindo saudades em japonês, em russo, em italiano, em inglês, mas que minha saudade, por eu ter nascido no Brasil, só fala português, embora, lá no fundo, possa ser poliglota... Aliás, dizem que costuma-se usar sempre a língua pátria, instantâneamente, quando estamos desesperados, para contar dinheiro, fazer amor e declarar sentimentos fortes, seja lá em que lugar do mundo estejamos.
Eu acredito que um simples "I miss you", ou seja lá como possamos traduzir saudade, em outra língua, nunca terá a mesma força e significado da nossa palavrinha. Talvez não exprima, corretamente, a imensa falta que sentimos de coisas ou pessoas queridas. E é por isso que eu tenho mais saudades... Porque encontrei uma palavra para usar todas às vezes em que sinto este aperto no peito, meio nostálgico, meio gostoso, e que dói, mas que funciona melhor do que um sinal vital quando se quer falar de vida e de sentimentos... Ela é a prova inequívoca de que somos sensíveis, de que amamos muito o que tivemos e lamentamos as coisas boas que perdemos ou das pessoas que se ausentaram ao longo da nossa existência.
Vivianne Oliveira
Tristeza
Não fique triste assim não vale a pena. Erros e acertos são filhos do mesmo pai. E a mãe que fez a dúvida deu vida a certeza. O tempo há de mostrar o mundo se transformar. Mais triste é quem diz que para um problema. Só existe a solução da matemática. O que me faz feliz são coisas pequenas. Um lindo arco-íris riscando o fim de tarde. E eu olho pra você e vejo toda a graça. Seus olhos brilham pretos seus lábios sem palavras. Seus gestos com timidez seus dedos bem pintados seu rosto sem segredos. Sorrindo leite em lágrimas. Guarde esse amor ele é todo seu.
Lindo como a flor, livre como um Deus.
Nando Reis
O apego ao amor!
Você pode amar sempre, mas ainda assim o amor nunca será seu. Será de você para o mundo, para alguém, para muitas pessoas. O que você acha que é seu não é de ninguém, nem seu. E o que você sabe que não é de ninguém, pode ser seu, desde que você não tente segurar, apenas predisponha-se a sentir, viver, experimentar. Se pudermos fazer isso com toda a intensidade de que somos capazes, talvez consigamos compreender o verdadeiro significado da palavra plenitude... em substituição à avassaladora palavra “apego”.
Desapegue-se do amor. Apenas ame!
Vivianne Oliveira
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