sábado, 26 de março de 2011

A dor...

É complicado se auto definir... Mas, com o tempo e o discernimento adquirido, podemos nos dar o luxo de mergulhar dentro de nós mesmos... enxergar, constatar certas coisas, porém não encarar isso como um veredicto final... Do tipo, "sou assim e pronto".

O mais interessante é o questionamento do que podemos (e devemos) mudar. Às vezes me acho indefinível, como um harém em mim mesma. Às vezes tão certa do que sou, do que quero, outras vezes duvidando até do fato de existir (risos).

Sou uma pessoa extremamente sentimental, sensível, intuitiva, receptiva, dedicada, apaixonada, fiel aos meus princípios, romântica...e sem um pingo de paciencia. Sim, mas sou movida a carinhos, a gentilezas...(Confuso?) Tambem acho.

Já me disseram que eu vivo tudo num nível muito acentuado, exagerado mesmo. Claro que isso tem suas vantagens ( e como tem), mas toda a minha fortaleza, a minha alegria, o meu sorriso e bom humor se esvaem ao menor sinal de deslealdade.

Já aguentei tranco muito fortes na minha vida, (já fui assaltada, já fui enganada, já me acusaram simplesmente para tomar meu lugar no trabalho, já fui traída, desmerecida, nossa.. a lista é imensa...). Mas nada disso me tirou a fé na vida, nas pessoas e principalmente em Deus. Nada me tirou essa teimosia imensa de ser feliz. Nada disso me deixou traumas.

Mas é incrível como ainda algumas coisas me ferem bem fundo, na alma. Não consigo entender as pessoas quando elas viram as costas a quem lhe estendeu a mão quando elas mais precisaram. Não consigo aceitar que alguém não consiga agradecer uma ajuda, por mais simples que seja. Não tolero a falta de consideração, a falta de generosidade dos seres humanos.

Eu não aprendi o que Shakespeare ensinou, que se uma pessoa não me ama da forma como eu gostaria não significa que ela não me ame. Eu não aprendi, e eu sofro, porque eu acho que elas não me amam mesmo, (porque eu acho que nem de longe isso e amor) e que eu desperdicei o carinho que dediquei a elas o tempo todo.

Outro dia mesmo passei de novo por uma experiência semelhante. Pensei que estivesse mais madura do que estou, pensei que estivesse mais preparada...mas que nada... Lá vou eu pro fundo do poço, mergulho sem medo, me deixo abater, me recolho, me calo, choro, fico com raiva de mim, degusto em detalhes o sofrimento, uma ação quase masoquista...

Mas me bastam alguns dias... e cá estou eu de novo, cheia de fé, cheia de esperança, sorriso que teima ficar o tempo todo no rosto.

Confesso que me decepcionei de novo comigo mesma... Sim, é comigo a decepção...eu tenho que aprender a não esperar nada dos outros, me preparar pro que pior e aceitar que vier...Mas eu estou viva, e tenho ainda muito o que aprender... E isso não deixa de ser uma delícia...


Vivianne Oliveira

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